Como e porque eu parei de fumar.

 
 

Debati internamente algumas vezes se eu deveria escrever esse post ou não. É algo muito pessoal, chato, e vai ser um texto bem grande. Optei pelo sim, pois minha intenção em publicar minha experiência é de conseguir ajudar alguém que esteja passando por uma situação similar à minha, a enfrentar as dificuldades de superar um vício. Se pelo menos uma pessoa encontrar conforto em algumas das minhas palavras, já estarei feliz! Então, senta que lá vem história…

A primeira coisa que você precisa entender para parar de fumar, é porque começou. É uma jornada de auto-conhecimento, voltas ao passado e revisitar lembranças que nem sempre deveriam sair da onde estão: no passado.

No alto dos meus 15 anos, 1,58m e, na época, 39kg, eu me achava a mulher mais independente, inteligente e dona do meu nariz do mundo. Sendo assim, a coisa que mais me irritava era ser chamada de “bonequinha”, “princesinha”, e “novinha”. Na minha super cabeça imbecil de adolescente revoltada, tomei a incrível decisão de fazer tudo o que eu podia para parecer mais velha: comecei a fumar, usava maquiagens super pesadas, e tinha um gosto para livros e músicas meio duvidoso. Mas mesmo assim, eu ainda ouvia comentários das pessoas do tipo: “Nossa, mas você não é nova demais para estar fumando?”, o que só servia para me causar mais revolta. Eu me recordo de andar aproximadamente 4 km por dia indo e voltando do cursinho “de apé”, para usar o dinheiro que minha mãe me dava da condução para comprar cigarros. Super independente, hein?

Com o passar dos anos, acabei me acostumando ao hábito de sempre socializar com os fumantes. É uma coisa engraçada, em todo lugar que você for vai ter um grupo de fumantes do lado de fora. Pode ser casamento, entrevista de emprego, curso, faculdade, workshop e por aí vai. E sim, existe um código sub-entendido entre todos os fumantes de cooperação pró-cigarro e pró-isqueiro. Então, mais uma vez, lá estava eu feliz por fazer parte do seleto grupo de pessoas que se conheciam por que precisavam de um cigarro ou de um isqueiro, e que ficavam literalmente de fora de todos os eventos sociais, achando que estavam fazendo “networking”. Mal sabia eu que a maior parte das pessoas estava lá dentro, do barzinho, da reunião, ou do que quer que fosse. Lá fora, estavam somente aqueles poucos que tristemente tinham um vício assim como eu.

Parar de fumar é algo que tem que partir de você. Não importa que durante anos sua mãe, sua família ou seu parceiro te encham o saco todo dia e falem o quanto isso faz mal para você. É uma decisão somente sua, e você é que tem que chegar à essa conclusão sozinho. Com meus 28 anos eu comecei a pensar em coisas de adulto, do tipo ” acho que quero uma família, e acho que um dia vou querer ter filhos”.  Isso me fez refletir de verdade sobre aquilo que várias pessoas me perguntavam e eu evitava pensar:  “Como vou levar uma gravidez fumando?”. Foi aí que eu fiz aquela viagem no tempo que falei para vocês no início do post, de “porque mesmo que eu comecei a fumar?”.
(Só para constar que não tenho planos nenhum de uma gravidez tão cedo, okay?! São apenas coisas que eu acho que a maioria das mulheres pensam na minha idade.)

Fiz uma listinha pra vocês das coisas que mais me aterrorizavam quando eu parei de fumar. E sim, eu parei de fumar no dia 08 de abril de 2014, que depois fui descobrir, era o dia mundial do combate contra o Câncer. E foi tão natural quanto levantar e escovar os dentes. Eu simplesmente acordei, olhei meu maço de cigarros que estava pela metade, dei pro meu marido e disse: “Tó, pode ficar, eu parei de fumar”.

Lista_fumar_1

Quando eu parei de fumar, eu sentia falta daquela sensação que o trago de cigarro te dá de “falta de ar” no pulmão. Por isso, eu comecei a correr. Correr te dá a mesma sensação. Chega uma hora que você “põe os bofes pra fora” de tão cansado. Mas isso foi só no começo. Depois me acostumei completamente com tudo, parei de correr e foi aí que eu engordei um pouquinho.

Mas eu preciso admitir, que do ponto que eu comecei a pensar sobre o assunto até eu de fato parar, demoraram exatos 04 meses. Questionei todos os ex-fumantes que eu conhecia, tinha várias dúvidas e grilos. Mas sinceramente, o que me fez de fato parar foi me aceitar. Eu sou e pra sempre vou ser o tipo de mulher “pequenininha”, e com cara de criança. Hoje, com 29 anos, adoro quando alguém fala que eu tenho cara de 20, ou as vezes até me pede o RG para comprar bebida alcoólica ou cigarros para o meu marido. Hoje, com 29 anos eu sei que eu não preciso provar nada para ninguém. Que eu posso ser quem eu quiser, desde que eu seja sincera comigo mesma. Eu sei que adorar ler livros de romance juvenis nos quais você já sabe o final quando começa a ler, não faz de mim uma pessoa menor do que ninguém. Eu sei que adorar a música mais recente da banda mais nova da cidade não me faz ser igual à massa, ou pior do que você. E principalmente, eu sei que fumar não faz ninguém me ver de maneira diferente. E se fizer, eu simplesmente não me importo.

Existirão momentos de stress psicológico que você vai passar, que vão te fazer ter vontade de voltar a fumar, mas eu tenho certeza que você vai se lembrar de toda sua jornada, de porque parou, e vai ser forte o suficiente para não fazer isso. Se eu consegui, você também consegue!

Se você tiver qualquer dúvida sobre esse assunto, pode deixar abaixo nos comentários que eu te respondo!

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